A preocupação com o El Niño normalmente começa na lavoura. Chuva em excesso, estiagem, altas temperaturas e alterações nas janelas de plantio e colheita entram rapidamente no planejamento do produtor. Mas existe uma segunda etapa que merece a mesma atenção: o que acontece com o grão depois que ele entra no silo.
O alerta é especialmente importante para o ciclo 2026/2027. O Painel El Niño, elaborado por INMET, INPE, ANA, Cemaden e outras instituições federais, informa que o fenômeno foi confirmado em junho de 2026. Os modelos indicam sua permanência pelo menos até o início de 2027, com alta probabilidade de atingir intensidade muito forte.
Para o trimestre agosto-setembro-outubro de 2026, a previsão aponta temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil, chuvas acima da média em áreas da Região Sul e precipitação abaixo da média em grande parte do centro-norte do País.
Na prática, o El Niño não cria sozinho a condensação dentro de um silo. Mas pode intensificar justamente as variáveis que tornam o pós-colheita mais desafiador: temperatura, umidade, condição do grão na chegada e disponibilidade de períodos favoráveis para o manejo da massa armazenada.
E é aí que planejamento passa a significar preservação de safra.
Como o El Niño pode afetar o pós-colheita?
Os impactos não serão iguais em todo o Brasil.
Região Sul: mais chuva e atenção ao excesso de umidade
Segundo o INMET, o Sul apresenta maior probabilidade de chuvas acima da média. Embora a água possa beneficiar determinadas fases das culturas de inverno e a implantação das culturas de verão, precipitações persistentes também podem aumentar o excesso de umidade, favorecer doenças fúngicas e dificultar a colheita.
Para o pós-colheita, isso exige atenção à condição em que o produto chega à unidade armazenadora. Grãos colhidos em períodos mais úmidos podem aumentar a pressão sobre recebimento, secagem, limpeza e conservação.
Centro-Oeste, Norte e Nordeste: calor entra na equação
No Centro-Oeste, Norte e Nordeste, as previsões combinam, de maneira geral, temperaturas acima da média com maior possibilidade de precipitações abaixo do normal em diferentes áreas. No Centro-Oeste, por exemplo, o INMET alerta que as temperaturas elevadas podem intensificar a deficiência hídrica.
Depois que o grão entra no silo, temperaturas externas mais elevadas também passam a fazer parte da gestão térmica da estrutura.
Durante a live do Programa Grão Seguro dedicada ao tema, o professor André Gonelli chamou atenção justamente para essa questão: em condições de El Niño, a janela de aeração pode ficar mais restrita, porque nem sempre o ar externo apresenta temperatura e umidade favoráveis para a operação.
Por isso, olhar somente para a lavoura deixa de ser suficiente.
Por que a condensação é um dos principais riscos dentro do silo?
Para entender a condensação, primeiro é necessário lembrar de uma característica fundamental: o grão continua sendo biologicamente ativo depois da colheita.
A massa armazenada troca calor e umidade com o ar ao seu redor. Além disso, a radiação solar aquece a cobertura e as paredes da estrutura.
O ar aquecido é menos denso e tende naturalmente a subir. Quando não é retirado adequadamente, ele se concentra na região entre a massa de grãos e a cobertura, contribuindo para a formação do bolsão de calor.
Na live do Programa Grão Seguro, Gonelli explica que o grão libera calor e vapor de água e que esse ar quente se desloca para cima. Quando encontra a cobertura metálica resfriada pela temperatura externa, pode ocorrer a condensação.
A Cycloar explica esse mesmo fenômeno em seus conteúdos técnicos: durante as variações de temperatura entre dia e noite, o vapor pode atingir o ponto de orvalho e se transformar novamente em água, gerando o conhecido gotejamento ou “chuva no silo”.
Ou seja:
calor acumulado + umidade + diferença de temperatura = condição favorável à condensação.

O que a condensação pode causar nos grãos armazenados?
A água proveniente da condensação pode atingir a superfície e os espaços entre os grãos, favorecendo o reumedecimento e criando condições para deterioração.
Entre as consequências estão:
- formação de crostas na superfície da massa;
- desenvolvimento de fungos, mofo, micotoxinas;
- deterioração e grãos ardidos;
- aumento dos riscos relacionados a pragas;
- comprometimento da circulação do ar pela massa;
- perda de qualidade;
- perdas relacionadas ao peso e ao valor comercial;
- corrosão e deterioração de componentes da estrutura;
- aumento dos riscos durante inspeções e intervenções internas.
O problema é que muitas dessas perdas acontecem gradualmente. Quando o armazenador percebe uma crosta, pontos deteriorados ou alterações durante a descarga, parte do prejuízo já aconteceu. Essa característica silenciosa das perdas é um dos principais pontos de atenção no pós-colheita.
Como preparar a armazenagem para um El Niño forte?
Não existe uma única medida capaz de substituir uma boa gestão da unidade. O caminho começa pelo planejamento.
1. Acompanhe temperatura e umidade
Termometria e acompanhamento das condições psicrométricas ajudam a entender o comportamento da massa armazenada e a tomar decisões com mais precisão.
Na live, Gonelli reforça a importância de utilizar as condições de temperatura e umidade como critério de manejo, em vez de trabalhar apenas com horários predefinidos.
2. Mantenha a estrutura limpa
Poeira, resíduos e materiais acumulados podem dificultar a passagem do ar. Limpeza de moegas, túneis, secadores, dutos e pontos de saída deve fazer parte do programa preventivo da unidade.
3. Dê atenção ao bolsão de calor
O calor que chega à parte superior da estrutura precisa encontrar condições para sair.
A retirada do bolsão de calor reduz o acúmulo de ar quente e saturado de umidade e favorece a renovação do ar e a circulação do ar no interior da unidade armazenadora.
É justamente nesse ponto que a exaustão natural assume papel estratégico.
Como a exaustão natural atua contra a condensação?
A Exaustão e Iluminação Natural Cycloar Lux atua continuamente na retirada do ar quente e úmido acumulado na parte superior de silos e armazéns graneleiros.
Por meio do princípio de Venturi, a movimentação do vento externo gera uma zona de baixa pressão no equipamento, promovendo a exaustão natural. Com a saída do ar quente, ocorre a renovação do ar interno e é favorecida a circulação do ar na estrutura.
O processo acontece sem consumo de energia elétrica.
Ao atuar diretamente na retirada do bolsão de calor, o Cycloar Lux reduz uma das condições fundamentais para a ocorrência da condensação. Com menos calor e umidade acumulados junto à cobertura, diminuem também as condições que favorecem reumedecimento, crostas e deterioração.
A iluminação natural integrada ao mesmo sistema complementa a solução ao proporcionar maior visibilidade interna para inspeções, acompanhamento da massa, limpeza e manutenção, contribuindo também para a segurança operacional.
El Niño exige planejamento antes do prejuízo aparecer
Quando perguntado durante a live qual seria o maior risco diante do El Niño: chuva, calor ou falta de planejamento?
André Gonelli foi direto ao escolher planejamento, justamente porque ele engloba todos os demais fatores.
Esse raciocínio é especialmente válido no pós-colheita.

Não é preciso esperar encontrar grãos deteriorados, crostas ou sinais de condensação para agir. O momento de revisar limpeza, monitoramento, circulação do ar, exaustão natural e condições da estrutura é antes que a próxima safra coloque novamente a unidade sob pressão.
O clima não pode ser controlado, mas a estrutura pode estar preparada para ele.
Há 30 anos, a Cycloar trabalha para transformar princípios físicos em eficiência na armazenagem de grãos, levando exaustão, iluminação, segurança e inovação ao pós-colheita.
Prepare seu silo para os desafios do El Niño 2026/2027. Fale com o time técnico da Cycloar e avalie as condições da sua unidade armazenadora.



